Uma expectativa chamada Aerosmith

Em janeiro de 2010, a informação divulgada pelo guitarrista Joe Perry era bombástica: o Aerosmith estava em busca de um novo vocalista. Steven Tyler, que precisou passar por uma cirurgia no pé em agosto de 2009, ficaria afastado do grupo por dois anos para se dedicar a outros projetos pessoais.

No mês seguinte, no entanto, Tyler contradisse as expectativas e confirmou presença na nova turnê da banda, intitulada Cocked, Locked, Ready to Rock Tour, que iniciaria em junho na Europa. Entre todas as dúvidas que deixaram os fãs do grupo apreensivos, mais uma certeza avassaladora: o Aerosmith viria, pela terceira vez, à América do Sul. A turnê, que visitaria Venezuela, Colômbia, Peru e Chile, passaria também pelo Brasil, em Porto Alegre e em São Paulo.

Depois de cair um gigantesco pano com o logotipo da banda que tapava o palco, às 22h02 o Aerosmith iniciou a sua apresentação, com “Love in an Elevator”. A plateia, que já tomava praticamente todo o espaço da FIERGS destinado ao show, pouco se importou com alguns problemas técnicos, que atrapalharam Steven Tyler na primeira música e que prejudicaram a qualidade do som (e o volume, muito mais baixo que o comum) do show. No entanto, os músicos do Aerosmith se mostraram bastante animados com o espetáculo, apesar da chuva fraca que caiu durante quase toda a noite. Na sequência, a primeira surpresa: “Mama Kin”, presente pela primeira vez no repertório da turnê sul-americana.

Mesmo com um palco modesto (sem muitos recursos tecnológicos como o do Guns n’ Roses, por exemplo), o Aerosmith, mesmo assim, arrasou. Com uma saudação em português – “e aí gaúchos!” –, Steven Tyler e Joe Perry comandaram praticamente todo o espetáculo, em uma pista apêndice ao palco que entrava adentro das primeiras fileiras da área VIP. O show seguiu com os sucessos do disco “Nine Lives” (1997): “Falling in Love (Is Hard on the Knees)” e “Pink”. Em contraste com as faixas mais recentes, a banda executou ainda dois clássicos mais antigos, “Dream On” (1973) e “Livin’ on the Edge” (1993).

Disposta a fazer uma ampla retrospectiva da sua carreira – mas sem deixar de fora os maiores sucessos dos anos de ouro da MTV – o Aerosmith teve o público na mão, que vibrou bastante com “Jaded” e com as inigualáveis “Crazy” e “Cryin’”, ambas clássicas absolutas do disco “Get a Grip”, de 1993. Não tenho dúvidas que essas três composições eram as mais aguardadas do show. Estranhei, apenas, terem sido executadas, juntas às anteriores (e famosas), logo no começo da apresentação. Depois de um interessante solo de Joey Kramer – que chegou a contar com a participação de Tyler nas baquetas também –, a banda trouxe “Lord of the Thighs”, que revelava, nitidamente, que muitos desconheciam o passado do Aerosmith, sobretudo os anos setenta.

Se os fãs perderam o pique do início do show, Tyler sabia como agitar todos os presentes mais uma vez. O carismático vocalista anunciou: “ontem foi o meu aniversário e eu não quero perder uma coisa”. A introdução de piano indicou um dos momentos de maior emoção do show, com a conhecidíssima “I Don’t Want to Miss a Thing”. De volta aos anos oitenta com a ótima “Rag Doll”, o show teve, em seguida, um solo de Joe Perry e o cover de “Stop Messin’ Around” – blues assinado por Fleetwood Mac e que contou com a voz do guitarrista. Se nesse momento o público estava, novamente, um pouco perdido entre as canções, depois de “What it Takes” o Aerosmith trouxe outro grande clássico: “Sweet Emotion” – que animou novamente a plateia.

Depois de mais um cover – “Baby Please Dont’ Go” (de Big Joe Williams) – a primeira parte do espetáculo foi encerrada com “Draw the Line”, do disco homônimo, de 1977. Com a imagem da bandeira do Brasil no telão, a banda voltou par encerrar o show com o bis: “Walk this Way” e outro cover, “Train Kept A-Rollin’”, de Tiny Bradshaw. Em duas horas de rock n’ roll contagiante, Steven Tyler e Joe Perry esbanjaram simpatia e sintonia. Os dois se mantiveram quase sempre na parte mais a frente do palco, mesmo em baixo da chuva que não parou um momento sequer. Se Tyler não consegue mais atingir todas as notas altas como antigamente, isso pouco importou. Ele continua sendo um frontman perfeito. Sem dúvida, o Aerosmith continua tão bom ao vivo como sempre foi.

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Os barbudos vieram a Porto Alegre

Os fãs brasileiros aguardavam, com certa ansiedade, a primeira turnê do ZZ Top pelo país. Depois de se apresentar duas noites seguidas em São Paulo, cerca de três mil pessoas conferiram uma bela apresentação e os maiores sucessos do trio americano, dessa vez no Pepsi on Stage, em Porto Alegre.

O espetáculo, que iniciou com a pesada “Got Me Under Pressure”, deixou claro, desde o seu início, que faria uma ampla retrospectiva dos quarenta anos de estrada do grupo. Curiosamente, após a primeira música, Billy Gibbons (vocal e guitarra), Dusty Hill (vocal e baixo) e Frank Beard (bateria) retornaram ao camarim. De volta ao palco poucos minutos depois, o promotor do evento explicou o motivo: uma queda de energia impossibilitou a sequência do show naquele momento.

O público – que se dividia entre fãs, simpatizantes do rock n’ roll e devotos incontestáveis do ZZ Top – não perdeu a compostura com o incidente e tão pouco deixou de agitar, especialmente aqueles que formavam as primeiras fileiras frente ao palco. O show continuou com duas músicas do disco “Tres Hombres”, de 1973: “Waitin’ for the Bus” e “Jesus Just Left Chicago”. Embora não sejam composições reconhecidamente famosas da banda, os barbudos esbanjaram bom humor em suas coreografias, sorrisos e brincadeiras com a plateia.

Depois de uma nova pausa, dessa vez mais longa, a banda voltou em definitivo para o palco. Os fãs, que por um momento começaram a se preocupar com a continuidade do espetáculo, conferiram uma execução de luxo em “Pincushion”, do disco “Antenna”, de 1994; e em “I’m Bad I’m Nationwide”, do álbum “Degüello”, de 1979. Enquanto que os carismáticos Gibbons e Hill demonstravam sincronia e entrosamento em pequenas jams, Beard estava impecável na bateria. Em continuidade ao show, Gibbons chamou ao palco uma bela loira (talvez a intérprete da banda) para um pequeno diálogo em português. “Billy, quando você chegou em Porto Alegre?”. “Hoje”. “Só hoje?”. “Sim”. “Você veio de avião?”. “Não”. “Você veio de navio?”. “Não”. “Como você veio então?”. “Com a minha bicicleta” – que ocasionou risadas entre os músicos e entre os presentes no Pepsi on Stage.

Depois de um momento de descontração, Gibbons, de chapéu, toca o primeiro cover da noite: “Future Blues”, gravada originalmente em 1928 pelo compositor country Willie Brown. Na sequência, uma versão para “Rock Me Baby”, de B.B. King. No entanto, o público que não estava mais tão agitado com o show do ZZ Top nesse momento, voltou a ovacionar o trio com “Cheap Sunglasses”, outra composição de destaque do álbum “Degüello”.

Os gaúchos ainda conferiram “I Need You Tonight” antes de um outro momento de destaque da apresentação: o terceiro cover da noite, “Hey Joe”, de Jimi Hendrix. Se uma boa parte da plateia não se mostrava grande conhecedora de toda a carreira do trio, o show teve o seu ápice – que se estendeu até o final da apresentação – a partir da próxima música. “Brown Sugar” comprovou que uma boa parte dos fãs presentes aguardava os clássicos setentistas da banda. Com Hill no vocal, “Party on the Patio” colocou mais energia no espetáculo, que continuou com “Just Got Paid” e com a clássica “Gimme All Your Lovin’”, bastante ovacionada pelos fãs.

Inegavelmente, a fase mais popular da banda – que contava com videoclipes exibidos na MTV – ainda é a mais celebrada pela maioria dos fãs brasileiros. Como comprovação, bastou perceber a reação do público com “Sharp Dressed Man” e “Legs”, da época oitentista do grupo. Nessa última, enquanto que Gibbons e Hill voltaram ao palco com os clássicos instrumentos cobertos por pelúcia, o videoclipe da canção era exibido no grande telão trazido pela banda para a turnê sul-americana.

Encerrada a apresentação em grande estilo, a banda voltou para o bis com as esperadas e imperdíveis “Viva Las Vegas”, “La Grange” e “Tush” – essa última talvez o maior clássico da história da banda. Em pouco mais de uma hora e quarenta minutos de show, o público que compareceu ao Pepsi on Stage presenciou, certamente, um dos maiores shows de rock que a capital gaúcha já recebeu.

Com o frio o espirro (postagem temática)

Não sei exatamente a proporção, mas acredito que muita gente deve sofrer com o frio. Não estou falando da dificuldade de acordar cedo ou de sentir as pontas dos dedos como se estivessem congeladas. No meu caso, é difícil ter uma manhã tranquila sem lutar contra uma sequência de espirros, em meio à baixa temperatura.

Diferente dos outros, o meu caso é relativamente complexo. Eu sofro, sempre que a temperatura muda bruscamente, devido a uma rinite alérgica que não me dá sossego desde muito tempo. É espirro atrás de espirro – da hora que eu acordo até o momento que eu saio de casa. Com o frio, essa situação se agrava. Coitada da minha família que acorda, antes do despertador, a cada assoada de nariz minha mais forte.

Eu desisti de combater o espirro. Os remédios antialérgicos a base de dipropionato de beclometasona não funcionam comigo. Muito pelo contrário, ao invés de me trazer um pouco de paz pela manhã, eles só transformam o restante do meu dia em um inferno – esses sprays me deixam com dor de cabeça. Além disso, já estou preparado para interromper qualquer atividade matinal para um, dois ou três espirros. Eu sei quando devo parar de fazer a barba para, com um ‘atchim’, não me cortar. Eu sei quando devo me afastar da torradeira para não comprometer o meu café da manhã.

Enquanto que a maioria das pessoas, durante a temporada gelada, sai de suas camas tremendo e reclamando do frio, eu saio espirrando e conformado com a situação, todos os dias. É como se essa condição já fizesse parte de mim. É como se o espirro me dissesse que está frio e que eu preciso me agasalhar melhor para sair de casa.

Esta postagem participa da atividade proposta do blog Sintonizados. O tema desta edição foi “frio”. Sugestão de tema para a próxima edição: “peso”.

Você não vale nada mas eu gosto muito de você

No próximo domingo, Grêmio e Inter entram em campo para disputar mais um título. O campeonato gaúcho, mesmo esquecido diante da importância de torneios como a Copa do Brasil e a Libertadores da América, volta a ser decidido pelas duas maiores forças do futebol do Rio Grande do Sul.

O Grêmio foi o vencedor do primeiro turno, a Taça Fernando Carvalho, mesmo que o Inter tenha alcançado a melhor entre todos. O Inter, por outro lado, foi o campeão do segundo turno, a Taça Fábio Koff, mesmo que o Grêmio tenha atingido o maior número de pontos. Diferenças que, certamente, serão minimizadas até o seu limite na primeira final de domingo. As chances de título são idênticas para as duas equipes.

Desde que a dupla Grenal participa de torneios de grandes proporções – especialmente a Copa Libertadores da América – o título estadual não é encarado como uma prioridade ou como uma necessidade. Embora o espírito ainda seja o mesmo, inegavelmente o clássico – que, neste caso, representa uma partida decisiva – muda a relação afetiva da torcida com o campeonato gaúcho. A vermelha não quer, de jeito algum, ver a azul comemorar. A torcida azul, por outro lado, não pretende assistir a vermelha festejar.

É verdade que a presença de Inter e de Grêmio na final do campeonato estadual não é garantia de um bom espetáculo. Em 2006, a última vez que decisão contou com um Grenal, duas partidas chatas, que acabaram em empate, deram o título para os gremistas. Dessa vez, o clima criado em torno das duas equipes promete uma decisão mais calorosa.

Em um 2010 não muito sólido, tanto Grêmio como Inter precisam vencer o campeonato gaúcho para revitalizar a auto-estima e para amenizar as críticas. Embora represente quase nada diante de ambições nacionais e internacionais maiores, o campeonato estadual ainda mexe muito com o sentimento da torcida gaúcha. O título pode até não valer nada, mas todos ainda gostam muito ganhar.

Ele que esqueceu um amor

Em época de fim de ano, todo escritório organiza um pequeno evento como forma de celebrar o encerramento da temporada. Com a repartição de Rogério não foi diferente. Os funcionários do órgão público em que ele é empregado comemoraram, mais uma vez, a conclusão de mais uma jornada anual de trabalho.

O dia escolhido para a festinha de fim de ano não poderia ter sido melhor. A última sexta-feira do mês de novembro simbolizava, para todos da empresa pública, o descompromisso de início de férias. O local eleito para o evento – a casa na praia de um colega do setor em que Rogério atuava – soou perfeito aos ouvidos de todos os funcionários. Não muito distante da cidade em que todos moravam, a residência do litoral possuía uma área de lazer bastante ampla. A promessa era de uma calorosa confraternização.

Mas isso, na realidade, pouco importava para o nosso personagem principal. Rogério nunca gostou de praia. Rogério nunca gostou dos seus colegas de trabalho. Embora ele não quisesse dividir o mesmo ambiente com as pessoas que ele mais odiava, após oito horas ininterruptas de expediente, existia um grande motivo para que ele estivesse, de corpo e alma, presente na festinha.

Mesmo que não gostasse do seu chefe e detestasse todos os seus colegas mais próximos, Rogério sempre encontrou uma curiosa felicidade em sua repartição. No seu primeiro dia como funcionário público, ele conheceu Sabrina, secretária recém contratada do órgão público. Uma loira de sorriso encantador, baixinha, de cabelo curto e com o rosto repleto de pintinhas. Rogério se interessou pela secretária desde o primeiro olhar. Rogério se apaixonou por Sabrina desde o primeiro repasse telefônico. Ele não pensava em ninguém mais.

Na casa da praia, Rogério foi o primeiro a chegar. Ele não conseguiu esconder a sua ansiedade quando Sabrina tocou a campainha e deu o primeiro ‘oi’ a todos. Na entrada, os dois trocaram apenas um sorriso modesto e nenhuma palavra. Para Rogério, já era suficiente. Mas enquanto que Sabrina cumprimentava com beijos e abraços os demais presentes, Rogério acompanhava o seu movimento apenas com os olhos, sem sair do mesmo lugar. Ele não se contentou com pouco. Rogério queria reparar em cada detalhe de Sabrina. É aqui que está a desgraça da história.

Como uma obsessão, ele analisou Sabrina com cuidado. Rogério reparou no seu cabelo muito liso, fruto da chapinha feita antes de sair de casa; no seu brinco com brilhantes, que ela nunca havia usado no trabalho; no seu batom rosa suave, o mesmo de sempre; no seu vestido florido em verde e amarelo, comprado na semana passada; na sua sandália de couro marrom, também nova.

Claro que Rogério reparou no joanete de Sabrina também. Ele, inclusive, se assustou com aquela saliência gigante – que surgia no canto do pé da moça – e que fugia para o lado de fora do sapato. O maior joanete que Rogério já viu. O pé mais feio que ele nunca imaginou quando pensava na mulher da sua vida.

Rogério estava perdido. Não havia mais nenhuma razão para ele estar na festinha da sua empresa. O coração de Rogério estava triste e ficou vazio, naquele instante, por causa de um joanete, por incrível que possa parecer.

Desde aquele dia, ele nunca mais esqueceu o pé feio da sua secretária. Desde aquele dia, ele nunca mais lembrou que um dia amou Sabrina.

Sou intelijente demais para vossê (postagem temática)

Desde a sua invenção, a internet serviu para aproximar as pessoas. Com o e-mail, a primeira grande invenção da nova era digital, a troca de mensagens instantâneas entre dois pontos distantes do planeta se tornou possível. Depois dele, novos mecanismos de comunicação foram criados, como o chat, o mirc e o ICQ. Dessa forma, a rede mundial de computadores possibilitava o contato entre muita gente, aparentemente desconhecida, distantes ou próximas entre si.

Com o tempo, a internet se consolidou como o meio mais eficaz para a construção de relacionamentos amorosos. Não apenas para os mais tímidos, mas para quem não tem o costume de frequentar boates ou para quem prefere conhecer alguém com maior profundidade em um intervalo maior de tempo. Para mim, todo mundo já se apaixonou por alguém do Orkut. Todo mundo já quis conhecer pessoalmente alguém do Twitter. Todo mundo já usou o MSN para marcar um cinema para o fim de semana com segundas intenções.

Na pós-modernidade, a palavra ganhou muito mais força do que quando ela só existia impressa em jornais, livros e em relatórios técnicos do Diário Oficial. Com a internet, a palavra permitiu mostrar quem você realmente é. A palavra está à disposição de quem quer impressionar alguém. No entanto, a palavra pode destruir um relacionamento que sequer chegou a passar do plano digital para o mundo real. A mulher ou o homem da sua vida pode se desintegrar diante de uma janelinha do MSN. Ela, ou ele, pode deixar de existir após o primeiro erro de ortografia.

Paulo diz: o que você faz da vida? trabalha? estuda?
Suzana diz: eu fasso técnico em enfermágem. agente poderia combinar de sair né. o que tu acha?
Paulo diz: hmm vou pensar. preciso ler um artigo científico para o meu trabalho de conclusão da faculdade.
Suzana diz: kkkk! o que esse testo vai acrecenta di bom para o teu trabalho?
Paulo diz: olha só, vou precisar sair agora. já volto. beijo.

Na situação hipotética, Suzana foi bloqueada no MSN. Para sempre. Não adiantou ela ter um álbum com fotos bonitas no Orkut, não adiantou ela ser uma mulher interessante, não adiantou ela querer me conhecer. No mundo virtual, a palavra tem o poder de construir e de destruir. A minha sensação é que quem não sabe escrever corretamente não é capaz de amar com sinceridade.

Esta postagem participa da atividade proposta do blog Sintonizados. O tema desta edição foi “palavras”.

Enganado por uma lasanha

Na semana passada, eu estava sozinho em casa e precisei a preparar a minha própria janta. Como não sei cozinhar até mesmo um ovo frito, me entreguei inteiramente à seção de congelados do supermercado. Entre as mais variadas opções de comida rápida, escolhi uma lasanha quatro queijos. A foto da embalagem era verdadeiramente tentadora.

Em casa e com tudo pronto para comer, eu fiquei decepcionado com o que surgiu do micro-ondas Para a minha surpresa, a lasanha pronta não tinha nenhuma relação com a expectativa criada pela minha imaginação e pelo cheiro de queijo que tomava a cozinha. Eu me senti enganado por uma lasanha qualquer.

Está claro que não existe setor mais decepcionante nos supermercados do que o de comida pré-pronta. Na maioria das vezes, as embalagens de alimentos congelados não servem para outra coisa que não seja disseminar a mentira. Pelo lado de fora, a imagem de um prato saboroso, colorido e muito bem servido. Mas, na pra tica, o que se vê é uma coisa pequena, estranha e quase sempre de gosto duvidoso.

Depois que reparar a existência constante desse caso, a agência de publicidade Pundo3000, da Alemanha, realizou no primeiro semestre de 2008 o projeto “Werbung Gegen Realität”. A idéia dos alemães, que pode ser traduzida para o português como “Publicidade vs. Realidade”, consistiu em selecionar cem diferentes alimentos industrializados para fazer a comparação entre as fotografias dos seus rótulos e a comida efetivamente pronta.

A maioria dos alimentos não é fiel a sua imagem reproduzida na embalagem. É entre os enlatados e os congelados que estão as maiores diferenças. Nesse tipo de comida, uma imagem bonita contradiz uma porção mal servida e, até certo ponto, nojenta. Diferente disso, os chocolates e os doces em geral tendem a ser mais parecidos com os seus rótulos, levando em consideração algumas pequenas modificações no conteúdo do recheio.

O sucesso de “Werbung Gegen Realität” na internet foi tão grande que agora a Pundo3000 oficializou o lançamento da campanha também em livro. Disponível no site da Amazon alemã, a obra custa exatos 24,95 euros e pode ser encontrada também nas principais livrarias de Berlim. Já os curiosos que querem ver as comparações, agora mesmo, basta acessar:

http://www.pundo3000.com/werbunggegenrealitaet3000.htm


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O duvidoso & incerto




Paulo tem 24 anos e é estudante do último ano de Jornalismo na Fabico/UFRGS. Abandonou a Engenharia Química quatro anos atrás pelo grande desastre matemático com o cálculo integral triplo e com as operações de físico-química.

Além de morar em Porto Alegre, ele é sócio do S.C. Internacional e acompanha o time sempre que pode no Beira-Rio. Fã de rock e de música pesada, Paulo gosta de cinema brasileiro e internacional, de literatura e de livros de não-ficção. Ele assiste quase tudo o que passa na televisão aberta e fechada, principalmente séries como House M.D., The Big Bang Theory e The Office.

Um dia já quis ser advogado, professor de natação, dentista e funcionário do Tribunal Regional Federal. Mas deixou para trás sua pequena carreira de professor particular de Ensino Médio para ser jornalista.

Ele já namorou uma ex-colega da faculdade insuportável e egocêntrica, mas também uma loira adorável de olhos azuis. Hoje está solteiro e desiludido com os relacionamentos sérios e envolventes depois de mais um fracasso recente.

É estagiário da UFRGS TV, jogador de futebol uma vez por semana, fotógrafo de aniversários familiares e passa algumas horas por dia na internet. Lê de jornais populares a revistas especializadas em cultura.

Contato:
paulofinattojr@hotmail.com
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